Archive for the ‘Outono-Inverno 2010-2011’ Category
Youthful Maturity
A juventude já não é o que era e, na moda, a forma como o heroin chic se traduziu para o menswear parece já uma coisa do passado. A personalidade do próximo Inverno é mais forte, mais madura, mais ponderada e mais chic. O homem emancipa-se para uma nova simplicidade, com um novo decoro, em que a atitude sobressai naturalmente sem demasiadas teatralizações ou pretensões. O rapazinho magricelas de cigarro na boca e skinny jeans que queria ser como o Pete Doherty perdeu-se na sua infantilidade e, finalmente, a verdadeira aura masculina reencontrou-se consigo mesma, mais refinada, mais clean, nestes novos tempos que não gritam, antes sussurram, sofisticação.
Evgenii Kolotov por Kirill Arseniev para Leonid Alexeev Homme Fall 2010
Shades of You por Joost Vanderug para Volt Man Magazine
With Nail and I por Jason Mickle para Fiasco
Hangin’ Tough por Joachim Mueller-Ruchholtz para Dansk
Avoir du Chien por Driu & Tiago para Citizen K France S/S 2010
Flex Your Head – Jam Home Made por Junji Hata para Sense Magazine Julho 2010

Tony Ward por Nelson Simoneau para Campanha John Bartlett Collection Signature Simons Fall 2010
Prada & Gucci com Cesar Casier por Junji Hata para Engine September 2010

Lewis Jamison por Kristin Vicari para Braille Spring 2011
Oleg Antosik por Karl Lagerfeld para Campanha Dior Homme Fall 2010
O terceiro sexo
A masculinidade e feminilidade são conceitos que já se dissociaram do género e cuja reexploração na moda tem sido quase incessante. O jogo de símbolos e a subversão destes já ultrapassou os clichés do homem e da mulher que simplesmente trocam roupas, numa tentativa de chocar e desmistificar as convenções sociais. O erotismo e fetichismo acabam por estar sempre presentes, dotando o masculino de uma nova aura, híbrida, mística, irreal.
Rive Gauche et Libre por Mert & Marcus para Vogue Paris Setembro de 2010
L’Étranger por Michele Ercolani para Bello Mag
imagens: fashiongonerogue e fashionisto, respectivamente
“A Nossa Selecção”
Apesar de uma capa atafulhada com letras garrafais, a verdade é que a Vogue Portugal de Setembro usou criativamente Olga Sherer como montra das peças que Paulo Macedo considerou as mais interessantes da ultima ModaLisboa, tudo pela lente de Bojana Tatarska. Esperemos que este editorial seja o início de uma viragem nesta publicação que nem sempre surpreende pela positiva em termos de conteúdos.
Olga Sherer em “A Nossa Selecção” por Bojana Tatarska com styling de Paulo Macedo para Vogue Portugal
fonte de imagens: fashiongonerogue
Os “Total Blacks” de Scognamiglio
Todos os looks de FRANCESCO SCOGNAMIGLIO para o Outono-Inverno 2010-2011
imagens (não editadas): vogue.it
L’illusion Baroque
O Clássico
O clássico funciona como uma linguagem universal na moda, que todos entendemos. A beleza de Christy Turlington é clássica, Meisel, apesar de todas as suas questionáveis, ou não, variações de estilo, como fotógrafo de excelência que é, consegue ser também ele clássico. Vemos Penn, vemos maturidade na mulher, vemos poses e ambientes. Não há sexualização nem subversão, grandes conceitos ou aventuras estéticas. Vemos pureza de outros tempos, mas vemos também como estas representações não são ultrapassáveis ou desactualizáveis. Uma ode à contemporaneidade do clássico. O resto do editorial: aqui.
Christy Turlington por Steven Meisel para Vogue Italia Julho 2010
Descubra as diferenças: Cor em editoriais
A forma como a cor tem vindo a ser explorada nos editoriais de Outono tem tido algumas convergências interessantes. Misturas improváveis, paredes, sofás e outras estruturas contrastam e fundem-se com o styling pelos mesmos motivos. Um fenómeno a observar.
Freja Beha Erichsen por Josh Olins para Vogue UK Agosto 2010
Magdalena Frackowiak por Chad Pitman para Numéro #114
Jacquelyn Jablonski por Camilla Akrans para Harper’s Bazaar US Junho/Julho 2010
imagens: fashiongonerogue
Couture Feelings
Críticos de moda há muitos, e todos melhores que nós. A alta costura mexe connosco para além da crítica fria e objectiva que se pode fazer com ciência. O objectivo foi sermos sensoriais e emotivos e falar do que nos orgulha, embevece e fascina neste mundo. Só disso surgiram estas considerações.
Tisci elevou-se. E elevou-se em vários termos. O sucesso comercial e crítico crescente do seu trabalho, a cada vez maior credibilização da sua visão enquanto couturier e a impregnação da sua identidade na moda de hoje são indícios disso. Mas a prova, a evidência disso, é a ultima colecção de Haute Couture para a Givenchy. Sim, fala-se em Frida Kahlo, dia dos mortos, catolicismo e outros ritos como inspiração, mas esta colecção é mais do que inspirações e concretizações de ideias. É Haute Couture pela Haute Couture. Pela exclusividade, pela arte, pelo detalhe, pelo estudo, pelo corte, pelo tecido e pela imagem holística das peças. É uma ode ao trabalhar, reflectir, aplicar alma a cada adorno cuja colocação e posicionamento têm horas de dedicação e paixão. Dez looks, dez modelos, uma sala e arte a transbordá-la. Rendas que marcam esqueletos, cascatas de franjas cuja avassaladora perfeição escultórica contrasta com a leveza das penas. Nú, branco e ouro. Os três elementos deste éter.
O trabalho não foi de Galliano, a visão não foi de Christian Dior, nem os méritos foram da nobre arte da Haute Couture. A imaginação, a arte, a proporção, as cores, as formas e as texturas foram todas artes da mãe natureza. Dior só fundou, Galliano só interpretou e a Haute Couture só permitiu. Um autêntico estudo em volta da flor, das suas partes e de um cocktail de processos biológicos que as tornam nas mais refinadas criações de arte. Seguiu-se esse caminho, esqueceu-se o atalho do sobre-dramatismo burguês do new look, dos muito ricos, dos sumptuosos vestidos e dos quadros dos grandes artistas das estações passadas, desceu-se à mais básica ideia da perfeição estética criacional e a flor tornou-se roupa. E ainda bem. E não falamos de florais, de roupas campestres e aplicações de pétalas aqui e ali. Falamos das morfologias, da organicidade, de caules, de anteras, da plasticidade e fluidez das flores, a vibração das cores, as rugas mais agressivas e as suavidades mais delicadas. Obrigado Galliano. Oferecemos-te uma flor.
Chanel é luxo, sofisticação, elegância. Isso já sabemos e não é sequer nesse sentido que procuramos surpresas. Nem Karl. De queixos caídos está a moda cheia. Numa era em que o avant garde e as “Lady Gagas” espalham os tentáculos até à quase deturpação do que a moda deve ou tem que ser, há sempre quem nos relembre da essência de uma boa peça, de execução e tailoring irrepreensíveis e de adornação que não ultrapassa os limites. Toques de realeza, alguma austeridade e rigor, bem longe da leveza jovial da Primavera passada. Tão interessante como deitar um “AH” a olhar para uma roupa é a possibilidade de uma mulher passar despercebida a usar algo em que todo este saber está aplicado. E a cenografia? Um leão gigante no meio do sumptuoso Grand Palais, perfeito, não fosse a distância entre a plateia e as peças, que dá uma visão quase míope da importância do detalhe inerente à Haute Couture.
HAUTE COUTURE OUTONO-INVERNO 2010-2011
imagens: vogue.co.uk
La Femme de Yves
À medida que as campanhas de Inverno começam a invadir a internet, o último passo para a concretização da ideia por detrás da colecção fica dado. Muitos pretos e brancos, nada de muito controverso ou fora do esperado. Angela Lindvall canta (para embalar, supomos) em Prada por Steven Meisel e Testino capta uma Versace melhor do que a que vimos na passerelle. Com já muitas vistas e algumas ainda por ver, resta-nos mostrar aquela onde nos vemos espelhados, onde a mulher que criamos idealmente está. Falo claro de Daria para Yves Saint Laurent por Inez van Lamsweerde & Vinoodh Matadin. Mais do que mostrar roupa e apelar aos novos-riquismos que invadem a moda sob a forma de Balmains e afins, revela-se uma austeridade sensual, simples e clara. Uma mulher segura, cuja roupa prolonga a sua emancipação, que se agrada a si mesma com sobriedades. Às vezes o sexo e a juventude na moda aborrecem. Às vezes as poses e expressões que tanto vemos homogeneízam as revistas e os blogs. Às vezes mulheres como esta emergem.
Daria Werbowy para campanha Yves Saint Laurent Outono-Inverno 2010-2011 por Inez van Lamsweerde & Vinoodh Matadin
imagens: fashionising.com
The Leather’s touch
LA SOPHISTICATION CLASSIQUE DE GIANFRANCO FERRÈ
L’AUSTÈRITÉ MINIMAL GLAM DE CÉLINE
LE DOUCE BIKER DE VERSUS
LE LADYLIKE DE LOUIS VUITTON
LE BRUN EN BRUNETTE DE LANVIN
LE CROC ÉQUESTRE D’HERMÈS
LE ROMANCE ORGANIQUE D’HAIDER ACKERMANN
LE VAMPIRESQUE RIGOUREUX DE GIVENCHY
LA MATURE INNOCENCE DE CHLOÉ
LE FUTURISTE SYNTHÉTIQUE DE BALENICIAGA
LE GOTH DE ANN DEMEULEMEESTER
LE ROYALE MILITAIRE DE BALMAIN
imagens originais: vogue.co.uk
The 70’s are this season
KENZO Outono-Inverno 2010-2011
YVES SAINT LAURENT Resort 2011
ETRO Outono-Inverno 2010-2011
MATTHEW WILLIAMSON Outono-Inverno 2010-2011 GIVENCHY HAUTE COUTURE Primavera-Verão 2010
SONIA RYKIEL Outono-Inverno 2010-2011 DRIES VAN NOTEN Outono-Inverno 2010-2011
CHANEL Resort 2011
CHLOÉ Primavera-Verão 2010
MISSONI Outono-Inverno 2010-2011 DIANE VON FURSTENBERG Outono-Inverno 2010-2011
We know you’re on a budget
A Mango é uma das marcas de street fashion mais sólidas na forma de apresentar e promover as suas colecções. A linha principal foi de encontro ao esperado: as silhuetas já exploradas para a próxima estação pelas grandes casas que ultimamente têm feito as delicias das mulheres urbanas, cosmopolitas e sofisticadas. Jogou-se com o comprimento das saias, como se viu em Marc Jacobs ou Prada, os tons beges e castanhos estiveram omnipresentes em vários tipos de materiais, até nos cabedais e capas à Chloé, decorados por um estampado ou lenço ocasionais. As aventuras pelo calçado e acessórios também foram interessantes, dando às vezes um toque ainda mais 70’s. Esperemos que isto seja a prova que as “militarices” e o navy da Primavera esteja bem morto e enterrado por mais algumas estações nas grandes cadeias.
MANGO Outono-Inverno 2010-2011
imagens: Mango
Um Brasileiro em Paris
Pedro Lourenço já criava profissionalmente em São Paulo aos 12 anos. Sim, aos 12 anos. Os seus pais são Gloria Coelho e Reinaldo Lourenço, dois conceituados designers da cena paulistana. Apesar de nunca ter sido forçadamente direccionado para a indústria, Pedro era imparável, e o seu interesse e talento cresceram muito para além da bolha familiar. Para o próximo Outono-Inverno, inspirado pela deusa romana da lua e da caça, Diana, e pelas obras de Niemeyer, Lourenço criou uma colecção futurista, com pretos e beges a dominar a paleta e explorações interessantes nos recortes e construção. Não foi por acaso que apesar de ter apresentado no calendário off de Paris chamou todos os que estamos habituados a ver numa front-row de uma grande casa.
PEDRO LOURENÇO Outono-Inverno 2010-2011
imagens FirstView
Black is overrated
Se o Verão não foi assim tão excitante, vem o Outono resolver o problema. Um editorial cheio de cor, fotografado por Camilla Akrans, mostra-nos aquelas peças que nos ficaram na cabeça para a próxima estação mas que tardavam em ser vistas por aí. O trabalho de blocking cromático mistura o styling e o set, criando uma paleta extremamente apetecível para usar com o sol outonal.
Jacquelyn Jablonski por Camilla Akrans para HARPER’S BAZAAR US Junho/Julho 2010
Yes to The Non
Inspirado na ordem mágica dos “The Golden Dawn”, a colecção com o mesmo nome, apresenta-se negra, mística e cheia de ocultismo. Com o trabalho excepcional de fotografia a completar a ideia, o lookbook apresenta-nos peças estruturadas e drapeadas, tipicamente masculinas mas indo de encontro às novas estéticas parisienses do menswear, cujas ondas de choque têm vindo a atingir um raio cada vez maior nesta indústria. O apelo não é a sexyness, mas sim uma sofisticação noir e misteriosa, explorada agora também através do homem. Sem dúvida uma colecção que também alimenta a mente.
THE GOLDEN DAWN
Outono-Inverno 2010-2011
Para ficar de olho: Yuima Nakazato
Yuima Nakazato, nascido e baseado em Tóquio mas formado em Antuérpia, com apenas 23 anos tem vindo a desenvolver trabalho para assim perseguir o sonho de ser um designer de moda apreciado e comercializável. De momento pretende afirmar-se conceptualmente (e como os nossos tempos precisam disso!) e mostra já em Paris. As roupas, em conjunto com o styling, formam seres escultóricos e misteriosos em que os acessórios e sapatos fazem parte integrante da ideia a exprimir. Ficam aqui um lookbook e vídeo cheios de mistério de alguém que estamos curiosos de ver continuar a criar.
YUIMA NAKAZATO Outono-Inverno 2010-2011
Le Retour de la Femme Fatale
Vestida de preto ou vermelho, lábios consonantes, anda determinada, oculta as fragilidades. Esta mulher está presente no imaginário da moda, fotografia e cinema desde o século passado, e já foi alvo de incontáveis reinvenções. Heroína ou vilã, a astúcia e beleza desta mulher domina o homem e a sedução é a mais poderosa arma para alcançar os seus objectivos. Apesar de ser um ponto de vista masculino da mulher, é uma interessante fonte de inspiração.
LANVIN
DSQUARED2
GIVENCHY
GIANFRANCO FERRÉ
BOTTEGA VENETA
ANTONIO BERARDI
DONNA KARAN
imagens: style.com


















































































































































































