Archive for the ‘Menswear’ Category
O terceiro sexo
A masculinidade e feminilidade são conceitos que já se dissociaram do género e cuja reexploração na moda tem sido quase incessante. O jogo de símbolos e a subversão destes já ultrapassou os clichés do homem e da mulher que simplesmente trocam roupas, numa tentativa de chocar e desmistificar as convenções sociais. O erotismo e fetichismo acabam por estar sempre presentes, dotando o masculino de uma nova aura, híbrida, mística, irreal.
Rive Gauche et Libre por Mert & Marcus para Vogue Paris Setembro de 2010
L’Étranger por Michele Ercolani para Bello Mag
imagens: fashiongonerogue e fashionisto, respectivamente
Nice to meet you Mr. Hare
Os nossos tempos trouxeram a doença dos ténis que infelizmente parece não ter cura para breve. O prático invadiu-nos as mentes e, consequentemente, as ruas. No entanto, o habitar do sapato masculino no dia-a-dia não deve ser visto como formalidade ou desactualização. Mr. Hare reitera essa ideia com calçado luxuoso e pleno de modernidade e simplicidade. Linhas e cores que já nos são familiares, no entanto com um twist minimalista, clean e, acima de tudo, sofisticado.
FITZGERALD
MILLER
ORWELL
TRUFFAUT
VICTOR BOA
BARRETTO
imagens de: oki-ni
Splatter Splash!
DRIES VAN NOTEN KRIS VAN ASSCHE
JEAN PAUL GAULTIER EMPORIO ARMANI
PAUL SMITH KENZO
Tudo para a Primavera-Verão 2011
imagens: style.com
Top Looks (Menswear Fashion Weeks)
O leopardo é opulento e as saias e as rendas são femininas. Errado. Tisci traz para o menswear o já por ele explorado Leopardo Givenchy-ano que todos conhecemos da obra do couturier, de uma forma chic e limpa, não opulenta mas carnal. Este homem veste-o, conjuga-o com calções/saias e não perde masculinidade nem se afirma pela ostentação. A execução é irrepreensível e todas as peças são, apesar de estranhas à primeira vista, automaticamente must have.
Em Saint-Laurent a presença é o intelecto. Figuras desprovidas de sex appeal onde a perfeição e leveza estéticas são o foco principal. Silhuetas cintadas, proporções arquitectónicas, tudo em tons mudos, com alguns apontamentos de padrão e fluidez norte africana. Sempre com simplicidade.
Os minimalismos de Jil Sander encheram-se de brilho num blocking variado de vários tons, sempre límpidos e contrastantes, em todo o tipo de peças que qualquer guarda roupa precisa, bem à Raf.
Yoji Yamamoto preencheu-nos com padrões e layerings que pretendem que o homem contemporâneo não se afunde em casualidade. Remontando à elegância masculina de outrora não deixa de todo a contemporaneidade que esteve em todo o lado, para o próximo Verão.
Raf Simons decidiu olhar para o branco, zippers, alguma cor e muito sportswear. Calças largas e alguns apontamentos de materiais menos comuns completaram uma colecção para um homem jovem e muito seguro dos seus próprios ideais estéticos.
O amarrotado parisiense de Lanvin nunca desilude. Texturas e padrões, layerings e descontrações, num efeito não menos cuidado ou polido. Mas ao Alber já o conhecemos.
A fluidez e as silhuetas tão tipicamente Kris, e tão pouco Slimane para Dior, não surpreenderam mas também não deixaram de transparecer beleza e wearability. Pode ser que Kris acorde, mas entretanto entretemo-nos.
Nunca as assimetrias orgânicas de Ann Demeulemeester foram tão brancas, e nunca o branco foi tão negro. Sem perder a aura que envolve a maioria das suas criações, um experimento em branco resultou na nossa dupla admiração. E isso é bom.
São Paulo, urbe de novidades
Alexandre Herchcovitch decidiu trabalhar a cor, e foi esta o ponto de partida para toda a estruturação da colecção. As formas foram exageradas para que o efeito da cor fosse ainda mais poderoso e, quer trabalhando acetinados quer outros materiais mais estruturados, a perfeição técnica nunca falhou. Não menos dignos de nota foram os degradês e para todos os pormenores de styling, como óculos, lábios, pulseiras e sapatos (de Alexandre Birman).
Glória Coelho, inspirada pelos sistemas e funcionamentos sistemáticos da natureza e não só, apresenta uma colecção onde se denota uma estética espacial, onde as listas funcionam como elemento indivisível das peças. A qualidade da execução técnica é mais que perfeita e a leveza dos vestidos contrasta com a aparente plasticidade dos coletes e outras estruturas.
Neon deve ficar-nos na cabeça como o vocábulo mais importante da moda brasileira. Traz-nos tudo aquilo que esperávamos de uma Fashion Week em São Paulo, swimwear, mas com um chic e uma sofisticação da nova mulher da América Latina. Esqueçam os clichés dos bikinis brasileiros e concentrem-se numa mulher urbana, de elegância mais contida, cuja praia não é sinonimo de desleixo mas onde a simplicidade não deixa de estar presente.
Alexandre Herchcovitch também não desilude no menswear. As referencias a Chaplin e a Laranja Mecânica foram mais que óbvias, o avant garde misturou-se com o clássico. As silhuetas na sua maioria loose não prescindiram assim da melhor alfaiataria.
João Pimenta questiona as suas raízes. Vem beber ao que é a imagem da monarquia portuguesa no Brasil e mistura uma certa austeridade da época com o fetishismo de hoje. Janelas nas costas, corpetes, o jogo entre o nu e o tapado, sempre com perfeição técnica e equilíbrio estético.
Ana Salazar partiu do vestuário clássico, transformou-o, desconstruiu-o e perpetuou-o com os habituais pretos e silhuetas salazarianas. Algum erotismo no cavar de certas peças, no enganar de um vestido que não é mais que a fusão de dois muito diferentes.
Cori faz-nos lembrar que o termo chic pode ter um significado muito pouco europeu. Os pasteis, o tailoring fluido, os volumes e os padrões tiveram como inspiração as expedições de botânicos para a descoberta da flora brasileira. O resultado foi uma elegância urbana para a nova mulher brasileira que não prescinde gosto nas ruas de uma urbe latina.
Osklen explorou o azul profundo do mar, nas suas várias tonalidades, luminosidades e ondulações, sem esquecer as silhuetas sportswear que caracterizam a marca.
imagens: ffw
Yes to The Non
Inspirado na ordem mágica dos “The Golden Dawn”, a colecção com o mesmo nome, apresenta-se negra, mística e cheia de ocultismo. Com o trabalho excepcional de fotografia a completar a ideia, o lookbook apresenta-nos peças estruturadas e drapeadas, tipicamente masculinas mas indo de encontro às novas estéticas parisienses do menswear, cujas ondas de choque têm vindo a atingir um raio cada vez maior nesta indústria. O apelo não é a sexyness, mas sim uma sofisticação noir e misteriosa, explorada agora também através do homem. Sem dúvida uma colecção que também alimenta a mente.
THE GOLDEN DAWN
Outono-Inverno 2010-2011
A Guys Thing
Nunca a moda masculina foi tão criativa e nunca o casual foi tão diverso. Uma estação, cinco tipos de looks, um só tipo de homem: o novo.
CHIC RELAXADO

NEUTRO

CASUAL

ATLÉTICO

DENIM

FOTOGRAFIA. Jimmy Backius STYLING. Emine Sander Café MAGAZINE
It’s “Soooo Hot!” (na Wrong Weather)
A Wrong Weather tem tentado trazer uma nova abordagem às lojas portuguesas de moda masculina. A exposição que inaugurou, em conjunto com o lançamento das colecções Primavera-Verão, foi mais uma prova que é possível o dialogo entre conceptual e comercial. Fica aqui um pequeno excerto e o convite para ver o resto das peças.

FOTOGRAFIA . Bojana Tatarska PRODUÇÃO . Paulo Gomes MODELO . Bruno Rosendo
Wear it like a man
O próximo Inverno parece estar repleto de elementos curiosos, que tornam a moda masculina cada vez mais notória e não menos importante que a feminina. As linhas vão sucessivamente ou arrojando, ou reinventando o clássico, para o homem contemporâneo que segue as tendências ou que aprecia peças cada vez mais únicas.
Podemos começar nos estampados caleidoscópicos que McQueen torna misteriosos e dark, que não desiludirão quando conjugados com outro tipo de peças, para o homem do dia-a-dia. A saia masculina, a ganhar cada vez mais terreno, foi um dos highlights de Givenchy, e pelo que parece, não pretende retirar testosterona a ninguém. Em Dries Van Noten o “homem europeu” mistura riscas que, apesar de conjugadas caóticamente (até nos blazeres e trenches de mangas em padrão diferente), fazem um estranho sentido. Rick Owens, um dos mais influentes entre os novos designers, consegue fazer do seu original o melhor, com o futurismo, arquitectura, goticismo e coesão de sempre. Raf Simons, depois de Jil Sander, trouxe fatos e casacos, mas com o minimalismo e twist que raramente desilude. Não menos palmas merecem as colecções de Yves Saint Laurent (ai os macacões!) e Dior Homme (bem diferente da que nos mostrava Slimane, para desilusão de alguns), com a nova silhueta masculina que se tem vindo a afirmar mais loose e desconstruída, ao mesmo tempo que todo o tailoring inerente à construção do menswear não é perdido. Pena que agora só para a próxima estação.
Alexander McQueen
Givenchy
Dries Van Noten
Yves Saint Laurent
Dior Homme
Rick Owens
Raf Simons
Gentlemen and Gentlemen, A próxima estação já começou
Gianfranco Ferré: O cabedal e as peles estiveram presentes, mesmo nos looks mais improváveis. A silhueta oscilou entre o fitted, por vezes com cintos a demarcar ainda mais a cintura, outras vezes mais loose, mas nunca descontraída, aliás, toda a colecção transparece uma postura opulenta e chic. O destaque vai mesmo para as peles, colocadas sobre trenches ou por baixo de blazers, sempre a dar ao look um ar muito mais luxuoso e sofisticado. Só para alguns homens.
Jil Sander: Sempre com sobriedade, minimalismo e inovação, as roupas sobressaem pelo detalhe, e há sempre detalhes que estão presentes em quase todas as peças. Parece que esta estação foi a vez da desconstrução dos fechos e botos dos casacos, como que aplicados ou cosidos a dar uma ideia de orgânico-arquitectónico. As cores, como sempre, oscilaram entre o preto, cinzento, nude e branco. E Jil Sander é isso mesmo, muito mais que cor.
Burberry Prorsum: O brit de sempre, desta vez em silhuetas menos marcadas, mais oversized. O pêlo, o cabedal em vários tons e adereços metálico-militares estiveram quase omnipresentes, em conjunto com os habituais elementos do homem Burberry.
Dolce&Gabbana: Raramente falamos de Dolce&Gabbana no TANDANSSE, porque não nos desperta assim tanta atenção, mas esta estação não pudemos escapar aos efeitos hipnóticos do look operário do início do séc. XX, que se fazia aparecer nas botas, boinas, malhas e sobretudo nas calças, que ou muito nos enganamos ou vão fazer as delícias não só de quem as veste. As cores tresandam ao negro fabril, castanhos, cinzas e pretos, e mais uma vez os casacos oversized sobressaem como outerwear de eleição.















































































































































