Archive for the ‘Fotografia’ Category
O terceiro sexo
A masculinidade e feminilidade são conceitos que já se dissociaram do género e cuja reexploração na moda tem sido quase incessante. O jogo de símbolos e a subversão destes já ultrapassou os clichés do homem e da mulher que simplesmente trocam roupas, numa tentativa de chocar e desmistificar as convenções sociais. O erotismo e fetichismo acabam por estar sempre presentes, dotando o masculino de uma nova aura, híbrida, mística, irreal.
Rive Gauche et Libre por Mert & Marcus para Vogue Paris Setembro de 2010
L’Étranger por Michele Ercolani para Bello Mag
imagens: fashiongonerogue e fashionisto, respectivamente
“A Nossa Selecção”
Apesar de uma capa atafulhada com letras garrafais, a verdade é que a Vogue Portugal de Setembro usou criativamente Olga Sherer como montra das peças que Paulo Macedo considerou as mais interessantes da ultima ModaLisboa, tudo pela lente de Bojana Tatarska. Esperemos que este editorial seja o início de uma viragem nesta publicação que nem sempre surpreende pela positiva em termos de conteúdos.
Olga Sherer em “A Nossa Selecção” por Bojana Tatarska com styling de Paulo Macedo para Vogue Portugal
fonte de imagens: fashiongonerogue
Shalom
A perfeição é praticamente impossível de atingir. Mesmo assim, a aproximação já pode ser um bom resultado. Shalom Harlow dispensa apresentações. As suas expressões são suaves e não nos distraem dos traços quase perfeitos, cuja poética é apenas acariciada por um trabalho de maquilhagem simples, conciso e natural. O rosto vai assim sendo sucessivamente emoldurado pelo styling, nada excessivo, que transforma este conjunto de simplicidades numa sinergia de resultado esteticamente explosivo. Uma série de fotografias que nos mostram apenas aquilo que deve ser realmente contemplado, sem distracções, onde a arte dos vários elementos sobressaem no fundo mudo. Merece ser visto em grande. Shalom.
Shalom Harlow em “Chrysalide” por Sofia Sanchez & Mauro Mongiello com styling de Samuel François para Numéro #108
imagens: thefashionspot
A New Maria
O catolicismo parece nunca estar fora de moda, ao contrário do que se possa pensar. Designers e publicações ironizam, criticam e enaltecem figuras e símbolos religiosos, quase permanentemente. Esta foi a vez de Danil Golovkin criar uma nova virgem Maria, num editorial que nos pareceu quase demasiado ousado para uma publicação como a Haper’s Bazaar Russia. Não ousado por mexer com religiosidades, mas por fugir um pouco ao que as grandes publicações nos habituaram – a ideia ultrapassa a fotografia de moda. Num segundo olhar para um o editorial de capa fez-se surgir uma Maria com sobreposições de plantas, flores e outros elementos (sim, comprimidos!), criando-se um conjunto de bonitas e etéreas imagens.
Tanya Dziahileva por Danil Golovkin para Harper’s Bazaar Russia Julho 2010
imagens: fashiongonerogue
Omnipresença de Bardot
Claudia Shiffer por Ellen von Unwerth para Vogue Italia Abril 2008
Lara Stone por Paolo Roversi para Self Service Spring 2008




Marloes Horst por Robert Wyatt para The Sunday Times UK Style Magazine Laetitia Casta por Matt Irwin para Vogue Russia August 2010


Natasha Poly por Mario Sorrenti para Vogue Francesa Lara Stone por Willy Vanderperre para Vogue UK Janeiro 2010
imagens: fashiongonerogue
O Clássico
O clássico funciona como uma linguagem universal na moda, que todos entendemos. A beleza de Christy Turlington é clássica, Meisel, apesar de todas as suas questionáveis, ou não, variações de estilo, como fotógrafo de excelência que é, consegue ser também ele clássico. Vemos Penn, vemos maturidade na mulher, vemos poses e ambientes. Não há sexualização nem subversão, grandes conceitos ou aventuras estéticas. Vemos pureza de outros tempos, mas vemos também como estas representações não são ultrapassáveis ou desactualizáveis. Uma ode à contemporaneidade do clássico. O resto do editorial: aqui.
Christy Turlington por Steven Meisel para Vogue Italia Julho 2010
Para ficar de olho: Helena Vieira
Macabra, sexual, sombria e quotidiana, a sua estética entranha-se-nos. Imagens que roçam o doentio e o “agradável”, que nos levam ao obscuro ou a uma claridade apenas aparente. A estranheza de situações, de ambientes e de olhares evocam personagens que deambulam na ambiguidade do real e do consciente. Helena Vieira é uma jovem artista que explora novas formas de arte à medida que se conhece e se define. O TANDANSSE acompanha os trabalhos que vai colocando no Flickr e blog e admira-os cada vez mais, à medida que surgem.
Fotografia HELENA VIEIRA
Todos os trabalhos podem ser visitados no blog e uma das peças na exposição Pistol & Fur New Contemporaries (flyer aqui) até 31 de Julho no Reino Unido.
A ascese do mundano
Os símbolos e iconografias da nossa sociedade sempre foram alvo de reinvenções e reproduções no mundo das artes. Deles surgem criticas, interpretações, mensagens contra o estado de coisas e questionamentos de valores. Estes gritos são importantes. Eles precedem a mudança, lançam a controvérsia, pretendem abanar consciências e dar-nos outros prismas acerca de ideias que estão enraizadas e pré-estabelecidas.
O vestido de casamento e o véu, últimos símbolos da virgindade, da subserviência da mulher perante o homem e deus, embelezam-na, mas, em última instância, empobrecem-na. Retiram-lhe identidade, objectizam-na. A mulher, o casamento e todos os simbolismos a eles associados, reflectem o último requinte da ortodoxia, da permanência de valores desactualizados e do perpetuar de ritos, cuja origem nada tem a ver com a contemporaneidade. Hoje não passam disso, de símbolos, de ritos, desligados da sua génese, que encaramos inebriados pela sua descaracterização. Acho que nada melhor que estas imagens para ilustrar esta reflexão.
Sasha Pivovarova e Natasa Vojnovic por Craig McDean para Vogue Paris Abril 2006
La Femme de Yves
À medida que as campanhas de Inverno começam a invadir a internet, o último passo para a concretização da ideia por detrás da colecção fica dado. Muitos pretos e brancos, nada de muito controverso ou fora do esperado. Angela Lindvall canta (para embalar, supomos) em Prada por Steven Meisel e Testino capta uma Versace melhor do que a que vimos na passerelle. Com já muitas vistas e algumas ainda por ver, resta-nos mostrar aquela onde nos vemos espelhados, onde a mulher que criamos idealmente está. Falo claro de Daria para Yves Saint Laurent por Inez van Lamsweerde & Vinoodh Matadin. Mais do que mostrar roupa e apelar aos novos-riquismos que invadem a moda sob a forma de Balmains e afins, revela-se uma austeridade sensual, simples e clara. Uma mulher segura, cuja roupa prolonga a sua emancipação, que se agrada a si mesma com sobriedades. Às vezes o sexo e a juventude na moda aborrecem. Às vezes as poses e expressões que tanto vemos homogeneízam as revistas e os blogs. Às vezes mulheres como esta emergem.
Daria Werbowy para campanha Yves Saint Laurent Outono-Inverno 2010-2011 por Inez van Lamsweerde & Vinoodh Matadin
imagens: fashionising.com
Altar: Iris Strubegger
Com 25 anos de idade, Iris não é uma supermodelo que se confunda com as outras. Não é meramente uma robot loura de 16 a passar umas temporadas de anorexia na passerelle. O seu ar andrógino faz com que se destaque e a maturidade manifesta-se em qualquer fotografia. O olhar é profundo, as poses surgem naturalmente bem estudadas. Claro, a beleza austríaca e a magreza natural e saudável também têm a sua importância e reforçam o ar seguro com que caminha e dá alma a um look. Pena que a moda caminhe sempre pelo facilitismo de uma cara fresca e pré-púbere em detrimento de verdadeiras mulheres como esta.
por PAOLO ROVERSI para VOGUE RUSSIA Maio de 2010
por MARTON PERLAKI para THE ROOM Spring 2010
por GLEN LUCHFORD para PURPLE FASHION Spring 2010
por MIKAEL JANSSON para VOGUE ITALIA Dezembro de 2009
por PAOLA KUDACKI para HERCULES
campanha FRANCESCO SCOGNAMIGLIO Primavera-Verão 2010
La Femme Flamboyante
Tiah Eckhardt encarna, perante a lente de Holly Blake, a luxúria e elegância de uma feminilidade ruiva em poses e looks reveladores.
Tiah Eckhardt por Holly Blake para NO. MAGAZINE N.º10
imagens: fashiongonerogue
à La Hubert
“You must, if it’s possible, be born with a kind of elegance. It is a part of you, of yourself.”
“It’s a fabulous thing, to give life to fabric, to make something move well, the harmony of colour.”
“Fabric is the most extraordinary thing, it has life. You must respect the fabric.”
“Every epoch is different, and you must accept the reality. C’est la vie. Happily, for many years we had a wonderful time. Beautiful fabric, beautiful people, beautiful memories.”
“I absolutely believe my talent is God-given. I ask God for a lot, but I also thank him. I’m a very demanding believer.”
Citações de HUBERT DE GIVENCHY
Fotografia de NAT FARBMAN, 1952
O surrealismo de Peripetie
Madame Peripetie é fotografa e agradam-lhe novas experiencias de polimorfismo e transformação do corpo humano, mostrando surrealismo na forma como articula perspectivas, poses, styling e materiais. Com ela a moda roça a escultura e a imagética uma espécie de punk. Adereços na cabeça e conjugações improváveis de peças mostram seres, mais ou menos humanos, que habitam lugares insólitos, onde o quotidiano não está minimamente presente. Polaca, a viver e a formar-se na Alemanha, apresenta-se como um talento a manter debaixo de olho, em exposições ou numa qualquer publicação interessante que nem sabíamos que existia, provavelmente a colaborar com outros talentos do design e styling ainda em ascensão.
“The Sun Is Often Out” para NEO2
“Warriors In The Dark”
“Oddities”
Black is overrated
Se o Verão não foi assim tão excitante, vem o Outono resolver o problema. Um editorial cheio de cor, fotografado por Camilla Akrans, mostra-nos aquelas peças que nos ficaram na cabeça para a próxima estação mas que tardavam em ser vistas por aí. O trabalho de blocking cromático mistura o styling e o set, criando uma paleta extremamente apetecível para usar com o sol outonal.
Jacquelyn Jablonski por Camilla Akrans para HARPER’S BAZAAR US Junho/Julho 2010
Descubra as Diferenças: editoriais de Verão
Por mais que gostemos do calor e da praia, parece que as grandes publicações para esta altura surgiram com conceitos muito pouco originais. Na sua maioria produções na praia, o mesmo posing de sempre, styling muito pouco interessante e fotograficamente o costume. Já só queremos o fim da silly season que parece começar cada vez mais cedo. Mais uma consequência do aquecimento global, possivelmente.
Doutzen Kroes por Terry Richardson para VOGUE RUSSIA Junho 2010 . Nika Lauraitis por Max Abadian para FLARE Junho 2010
Isabeli Fontana por Mikael Jansson e Kate Moss por Mario Sorrenti, ambas para VOGUE PARIS Junho/Julho 2010
Jeisa Chiminazzo por Matthias Vriens-McGrath para FLAIR Junho 2010 . Masha Novoselova por James Macari para VOGUE ESPANHA Junho 2010
Yes to The Non
Inspirado na ordem mágica dos “The Golden Dawn”, a colecção com o mesmo nome, apresenta-se negra, mística e cheia de ocultismo. Com o trabalho excepcional de fotografia a completar a ideia, o lookbook apresenta-nos peças estruturadas e drapeadas, tipicamente masculinas mas indo de encontro às novas estéticas parisienses do menswear, cujas ondas de choque têm vindo a atingir um raio cada vez maior nesta indústria. O apelo não é a sexyness, mas sim uma sofisticação noir e misteriosa, explorada agora também através do homem. Sem dúvida uma colecção que também alimenta a mente.
THE GOLDEN DAWN
Outono-Inverno 2010-2011
Une beauté d’autres temps
Talvez o facto de ainda estar imune às Fashion Weeks que vão sucessivamente acontecendo, mas que a seu tempo merecerão (e muito) a minha atenção, e de nestas alturas tudo parar um pouco dada a centralidade de eventos como esses, me tenha feito viajar por outras imagens. É quase estranho que não haja ainda nenhuma referência a Willy Maywald neste blog! E logo que nós que damos tudo por um par de imagens deste estilo. A elegância, as poses, a sobriedade e a técnica de outros tempos conseguem sempre sortir os seus efeitos, apesar do nosso olho já estar bem desperto para esse formato. Talvez isso mesmo nos permita apreciar ainda mais.
Nada de sexo explícito, tratamento digital ou casacos Balmain (Deus sabe que já nos saem pelos olhos!), mas antes a aura altiva, de elegância inatingível, a simplicidade das expressões e a complexidade da arte. Hoje não basta uma modelo mediana e um recanto de Paris para criar estas imagens. Não que não gostemos dos nossos tempos, mas hoje sentimo-nos Maywald.








Chirstian Dior






Jacques Fath

Pierre Cardin
Fotografias por Willy Maywald



























































































































































