Archive for the ‘Designers’ Category
Os “Total Blacks” de Scognamiglio
Todos os looks de FRANCESCO SCOGNAMIGLIO para o Outono-Inverno 2010-2011
imagens (não editadas): vogue.it
L’illusion Baroque
As formas de Maria
“Form forms forms.
Embedded in the material, the form reveals itself.
To experience the freedom of not giving a name to things.
To see what emerges from one form.
Inciting the flow of continuous creation.
No waste, no loss of energy, alert and alive.”
Citação e peças de MARIA BLAISSE
La Femme de Yves
À medida que as campanhas de Inverno começam a invadir a internet, o último passo para a concretização da ideia por detrás da colecção fica dado. Muitos pretos e brancos, nada de muito controverso ou fora do esperado. Angela Lindvall canta (para embalar, supomos) em Prada por Steven Meisel e Testino capta uma Versace melhor do que a que vimos na passerelle. Com já muitas vistas e algumas ainda por ver, resta-nos mostrar aquela onde nos vemos espelhados, onde a mulher que criamos idealmente está. Falo claro de Daria para Yves Saint Laurent por Inez van Lamsweerde & Vinoodh Matadin. Mais do que mostrar roupa e apelar aos novos-riquismos que invadem a moda sob a forma de Balmains e afins, revela-se uma austeridade sensual, simples e clara. Uma mulher segura, cuja roupa prolonga a sua emancipação, que se agrada a si mesma com sobriedades. Às vezes o sexo e a juventude na moda aborrecem. Às vezes as poses e expressões que tanto vemos homogeneízam as revistas e os blogs. Às vezes mulheres como esta emergem.
Daria Werbowy para campanha Yves Saint Laurent Outono-Inverno 2010-2011 por Inez van Lamsweerde & Vinoodh Matadin
imagens: fashionising.com
Paco Rabanne, Designer and Rebel
Paco Rabanne, o espanhol de estatuto icónico e revolucionário, pode agora ser visto em detalhe numa exposição no âmbito do ESTORIL FASHIONART FESTIVAL. Uma retrospectiva que nos permite compreender a arte por detrás de um mestre que, através da arquitectura e holismo dos pequenos elementos, influenciou os seus e os nossos tempos. A variedade e especificidade dos materiais usados são mais que a identidade deste rebelde que também foi beber a Balenciaga, através da sua mãe, costureira deste. O TANDANSSE releva a importância de eventos como este em Portugal, para que se dê à moda a sua real importância, e nunca menos que isso.
EXPOSIÇÃO Museu C.C. Guimarães até 11 de Julho, com entrada gratuita, das 13h00 às 21h00.
fonte e imagens: estoril fashionart festival
São Paulo, urbe de novidades
Alexandre Herchcovitch decidiu trabalhar a cor, e foi esta o ponto de partida para toda a estruturação da colecção. As formas foram exageradas para que o efeito da cor fosse ainda mais poderoso e, quer trabalhando acetinados quer outros materiais mais estruturados, a perfeição técnica nunca falhou. Não menos dignos de nota foram os degradês e para todos os pormenores de styling, como óculos, lábios, pulseiras e sapatos (de Alexandre Birman).
Glória Coelho, inspirada pelos sistemas e funcionamentos sistemáticos da natureza e não só, apresenta uma colecção onde se denota uma estética espacial, onde as listas funcionam como elemento indivisível das peças. A qualidade da execução técnica é mais que perfeita e a leveza dos vestidos contrasta com a aparente plasticidade dos coletes e outras estruturas.
Neon deve ficar-nos na cabeça como o vocábulo mais importante da moda brasileira. Traz-nos tudo aquilo que esperávamos de uma Fashion Week em São Paulo, swimwear, mas com um chic e uma sofisticação da nova mulher da América Latina. Esqueçam os clichés dos bikinis brasileiros e concentrem-se numa mulher urbana, de elegância mais contida, cuja praia não é sinonimo de desleixo mas onde a simplicidade não deixa de estar presente.
Alexandre Herchcovitch também não desilude no menswear. As referencias a Chaplin e a Laranja Mecânica foram mais que óbvias, o avant garde misturou-se com o clássico. As silhuetas na sua maioria loose não prescindiram assim da melhor alfaiataria.
João Pimenta questiona as suas raízes. Vem beber ao que é a imagem da monarquia portuguesa no Brasil e mistura uma certa austeridade da época com o fetishismo de hoje. Janelas nas costas, corpetes, o jogo entre o nu e o tapado, sempre com perfeição técnica e equilíbrio estético.
Ana Salazar partiu do vestuário clássico, transformou-o, desconstruiu-o e perpetuou-o com os habituais pretos e silhuetas salazarianas. Algum erotismo no cavar de certas peças, no enganar de um vestido que não é mais que a fusão de dois muito diferentes.
Cori faz-nos lembrar que o termo chic pode ter um significado muito pouco europeu. Os pasteis, o tailoring fluido, os volumes e os padrões tiveram como inspiração as expedições de botânicos para a descoberta da flora brasileira. O resultado foi uma elegância urbana para a nova mulher brasileira que não prescinde gosto nas ruas de uma urbe latina.
Osklen explorou o azul profundo do mar, nas suas várias tonalidades, luminosidades e ondulações, sem esquecer as silhuetas sportswear que caracterizam a marca.
imagens: ffw
“The Fashion Show” (of the self)
O nome da colecção era “The Fashion Show”. Podia querer dizer muitas coisas. As luzes não acenderam como de costume, a música não ligou. Surgiu só a primeira modelo a suportar uma estrutura metálica que a iluminava e lhe dava o próprio som. Seguiram-se as outras, que penetravam o escuro, cegas pelos holofotes a incidir sobre si, desequilibradas pelos (provavelmente) desconfortáveis tamancos holandeses de salto alto. A plateia não sabia para onde olhar, se para as roupas, se para o aparato ou para a modelo aterrorizada à beira da possibilidade de queda mais monumental da sua carreira. Mas não é o sofrimento alheio que nos fascina, nem o insólito.
Neste “The Fashion Show” cada um habita o seu próprio mundo, cada um vive no seu próprio desfile e tem dificuldade em ver os outros. Celebrar a atitude individual ou criticar um mundo da moda cada vez mais autocentrado? O fashion circus narcísico que muitas vezes se gera nada tem que ver com roupas ou arte, mas com auto-promoções e colisões de protagonismos que se apoderam de grande parte da imagem que a moda tem para quem a vê de fora. A moda tornou-se um palco a que é confortável estar-se associado, que dá estatuto e reconhecimento e onde os umbigos estão no seu ambiente natural. A pensar sobre isto achei que não havia imagens mais pertinentes que estas.
VIKTOR & ROLF Outono-Inverno 2007-2008
imagens: catwalking
Um Brasileiro em Paris
Pedro Lourenço já criava profissionalmente em São Paulo aos 12 anos. Sim, aos 12 anos. Os seus pais são Gloria Coelho e Reinaldo Lourenço, dois conceituados designers da cena paulistana. Apesar de nunca ter sido forçadamente direccionado para a indústria, Pedro era imparável, e o seu interesse e talento cresceram muito para além da bolha familiar. Para o próximo Outono-Inverno, inspirado pela deusa romana da lua e da caça, Diana, e pelas obras de Niemeyer, Lourenço criou uma colecção futurista, com pretos e beges a dominar a paleta e explorações interessantes nos recortes e construção. Não foi por acaso que apesar de ter apresentado no calendário off de Paris chamou todos os que estamos habituados a ver numa front-row de uma grande casa.
PEDRO LOURENÇO Outono-Inverno 2010-2011
imagens FirstView
Yes to The Non
Inspirado na ordem mágica dos “The Golden Dawn”, a colecção com o mesmo nome, apresenta-se negra, mística e cheia de ocultismo. Com o trabalho excepcional de fotografia a completar a ideia, o lookbook apresenta-nos peças estruturadas e drapeadas, tipicamente masculinas mas indo de encontro às novas estéticas parisienses do menswear, cujas ondas de choque têm vindo a atingir um raio cada vez maior nesta indústria. O apelo não é a sexyness, mas sim uma sofisticação noir e misteriosa, explorada agora também através do homem. Sem dúvida uma colecção que também alimenta a mente.
THE GOLDEN DAWN
Outono-Inverno 2010-2011
Para ficar de olho: Yuima Nakazato
Yuima Nakazato, nascido e baseado em Tóquio mas formado em Antuérpia, com apenas 23 anos tem vindo a desenvolver trabalho para assim perseguir o sonho de ser um designer de moda apreciado e comercializável. De momento pretende afirmar-se conceptualmente (e como os nossos tempos precisam disso!) e mostra já em Paris. As roupas, em conjunto com o styling, formam seres escultóricos e misteriosos em que os acessórios e sapatos fazem parte integrante da ideia a exprimir. Ficam aqui um lookbook e vídeo cheios de mistério de alguém que estamos curiosos de ver continuar a criar.
YUIMA NAKAZATO Outono-Inverno 2010-2011
O “Futuro” como em 1982
A moda tenta sempre superar-se a si mesma. A procura pelo novo e pelo fresco é incessante e torna-se uma obsessão dos criadores e dos críticos, e todos nós bem sabemos o que é uma front row aborrecida. O futurismo está na ordem do dia, e acaba por estar presente, directa ou indirectamente, em quase tudo o que sai, desde colecções a produções. Mas não é “moda” dos tempos que correm: é um tema que foi já revisitado em várias décadas passadas, apesar da nostalgia que nos trouxeram os anos 2000. Trata-se então um exercício, uma tentativa de abstracção do presente e a reinvenção das formas, dos materiais, das sociedades, dos ambientes e de todas as outras incontáveis variáveis que influenciam o que vestimos.
Pois em 1982, um livro chamado “Fashion 2001” (de Lucille Khornak) desafiou vários designers conceituados da época a imaginarem como seria a moda no novo milénio, resultando em vários looks que pretendiam prever o que se vestiria neste início de século. O fim foi algo previsível, claro. Foi difícil fazer o desmame dos 80’s e claramente, em 2001, a maior parte das roupas pareceriam fora de moda. Jean-Charles de Castelbajac pareceu, no entanto, conseguir algo próximo da silhueta e materiais que marcaram essa altura. Com maior ou menor acurácia, vir do “futuro” espreitar estas previsões acaba por ser um privilégio.
JEAN-CHARLES DE CASTELBAJAC
GIANNI VERSACE
ISSEY MIYAKE
JEAN PAUL GAULTIER
THIERRY MUGLER CLAUDE MONTANA
GIORGIO ARMANI GIVENCHY
GIANFRANCO FERRÉ PIERRE CARDIN
KARL LAGERFELD POUR CHLOÉ BASILE
fotografia LUCILLE KHORNAK
fonte: thefashionspot
Entrevista Luís Buchinho
Ouve pop do início dos anos 80, presença assídua no calendário de Paris, é Português e simpático – Luís Buchinho sempre foi daqueles designers nacionais que nos despertou maior curiosidade. Apesar do meio português ser pequeno, a sua obra está repleta de trabalho sólido, reconhecido e com uma forte identidade própria, o que por vezes não é tão fácil de encontrar junto de alguns designers por aqui. O melhor de tudo é que nunca nos traz grandes desilusões, estação após estação. Exemplo disso foi a “sereia urbana” que criou para o próximo Inverno, com peças cheias de movimento, orgânicas, com as habituais misturas de materiais e assimetrias, sempre Buchinho.
O TANDANSSE arriscou e petiscou. Luís aceitou ser entrevistado por nós e ainda conseguimos algumas imagens de arquivo, graças à prestabilidade e simpatia, não muito fáceis de encontrar por aí, sempre curiosas e que nos dão uma perspectiva de percurso do trabalho que tem vindo a desenvolver.
TANDANSSE . Como começou o seu interesse pela moda?
Luís Buchinho . Na pré-adolescência era completamente louco por cultura Pop londrina. Aos 13 ou 14 anos desenhava compulsivamente as bandas musicais, ilustrava os clips, inventava-lhes capas para os álbuns. Lembro-me que na véspera dum aniversário, estava com aquelas depressões parvas tão típicas da idade, e ver o Boy George a entortar os olhos para a capa da SMASH HITS era o género de coisa que me salvava o dia. O interesse por moda surgiu aos 15, através de uma namorada super fashion que devorava revistas da especialidade. O meu foco aí mudou: os desenhos das capas de discos passaram a ser da Vogue, Elle, Marie Claire. Esses mesmos desenhos, entre muitos outros, começaram a circular na aula de desenho do liceu. A minha professora foi incrível, traçou-me o rumo da minha vida ao obrigar-me praticamente a concorrer ao CITEX, no Porto. Tinha 16 anos, fui aceite, fiz as malas e vim aprender a coisa à séria.
T . Onde procura inspiração?
LB . Nas folhas em branco, no colocar dum tecido no manequim, na mesa de moldes. Ajuda muito se tiver como inspiração uma temática orgânica, pois acabo sempre por encontrar muitas surpresas na Natureza.
T . Ao fim de todos estes anos de carreira, em que acha que está diferente desde que começou a trabalhar (em termos de perspectivas, estética, inspirações, etc.)?
LB . Não consigo ter uma percepção muito realista dessa distância, nem perceber se passou depressa ou devagar, e sinceramente não quero saber. A técnica adquirida é sem dúvida uma ferramenta muito forte, poupa-me tempo e permite-me visualizar mais facilmente os resultados finais. Há, no entanto, algo que me acompanha desde sempre: a convicção que a melhor colecção de sempre é a próxima.
T . Consegue definir a mulher Buchinho?
LB . Consigo mas não vou definir. Vocês fazem-no melhor.
T . Que principais dificuldades enfrenta um designer português, hoje?
LB . Furar o meio internacional é difícil. Tanto para um português como alguém doutro país, estamos numa fase de tanta, tanta oferta a nível de moda que se torna complicado um nome novo vingar. Para mim, a maior dificuldade para um português é contextualizar a sua proposta dentro de Portugal que é um ponto de partida chato e relutante para marcas nacionais, por muito boas que elas sejam. E aí surge o desafio final, porque infelizmente muitas não o são.
T . Como vê o futuro enquanto designer/marca e que sonhos ainda mantém?
LB . Nunca fui muito sonhador, nunca tive muito tempo nem paciência para divagações ligadas a “ses”, “quando…”, “um dia…”, “talvez…” Cada dia é um dia, e o trabalho de campo tem um objectivo a atingir a cada meio ano.
T . Como vê o panorama dos futuros designers portugueses? Há algum que lhe suscite particular interesse?
LB . Há muito trabalho ainda a ser feito. Onde é que está a roupa pós-ModaLisboa e afins? Acho que a maioria das propostas nem sequer pensam no conceito primordial daquilo que estão a fazer – Pronto-a-vestir – ou seja, produto com pernas para andar no mercado. Dá trabalho? Sem dúvida. Mas é um trabalho que tem mesmo de ser feito. Para mim, o calcanhar de Aquiles da moda portuguesa é a falta de personalidade das propostas apresentadas. Confunde-se muito a questão da linguagem de criador com o gira o disco e toca o mesmo. Como se isso fosse reforçar outra coisa para além dum enorme bocejo. Tem mudado? Tem. Mas lentamente, muito lentamente. E a Moda tem sempre pressa.
T . Com 20 anos de carreira e toda uma vida rodeada de roupas e de moda, como vê o seu estilo pessoal?
LB . Mais básico, impossível. Boring.
T . Já tem ideias para a Primavera-Verão 2011?
LB . Já mas não vou revelar. Nem é por secretismo, mas ainda se vai partir tanta pedra.
Curiosidades
DESIGNER NACIONAL . Aleksander Protic
DESIGNER INTERNACIONAL . Ghesquiere, Mcqueen, Rick Owens, Hackermann, Demeulemeester
FILMES PREFERIDOS . “Requiem for a Dream” de Darren Aronofsky, “Donnie Darko” de Richard Kelly, “Strange Days” de Kathryn Bigelow, “12 Monkeys” de Terry Gilliam, “Flashdance”
PERFUME . Não gosta de usar perfume
CIDADE (que não a sua) . Lisboa ou Copenhaga
Portugal Fashion Paris OUTONO-INVERNO 2010-2011
Portugal Fashion PRE-FALL 2010-2011
Portugal Fashion JOTEX BY LUÍS BUCHINHO OUTONO-INVERNO 2008-2009
Portugal Fashion Paris OUTONO-INVERNO 2007-2008
Portugal Fashion Paris VERÃO 2006
ModaLisboa OUTONO-INVERNO 2002-2003
Portugal Fashion NY OUTONO-INVERNO 2001-2002
Nunca é demais agradecer a prestabilidade e simpatia do Luís em responder às nossas perguntas e disponibilizar estas imagens.
imagem cabeçalho . ModaLisboa/Rui Vasco
Para ficar de olho: Vika Gazinskaya
Com os novos designers o problema do “mais do mesmo” não existe, daí tenderem a surpreender sempre. Uma mera viagem por um curto currículo acaba por proporcionar toda uma imersão numa visão que ainda não conhecíamos. Mesmo assim, essas ilusões não mascaram o talento de Vika Gazinskaya, uma designer de origem russa, já conhecida “de vista” por muitos de nós desse novo mundo que é o streetstyle, expert em brincar com volumes e formas curiosas, nunca em detrimento do trabalho de cor, num novo simples não-tão-minimal-assim.






PRIMAVERA.VERÃO 2010




PRIMAVERA.VERÃO 2009
FOTOGRAFIA . Aleksey Kolpakov
Para ficar de olho: Maxime Simoens
O “novo Saint Laurent” ou o “novo Ghesquière”, são títulos que lhe vão dando, e que, apesar de hiperbólicos, não pretendem mais que parabenizar o talento deste novo designer. E a nossa esperança está no sangue novo, porque sem McQueen, sem Lacroix e com o duplamente desaparecido Margiela, parece que já poucos podem salvar o panorama actual. Vencedor do prémio François Lesage e com experiência na casa Balenciaga, Maxime Simoens parece ser um daqueles que persistem em criar um lugar para o seu nome próprio. E nós só apoiamos.

PRIMAVERA.VERÃO 2010

OUTONO.INVERNO 2010.2011
FOTOGRAFIA . Tim&John
Para ficar de olho: Lamija Suljevic
Um dos principais privilégios de se ser blogger é ser-se ocasionalmente contactado por pessoas criativas, das várias áreas, que querem mostrar o seu trabalho. Lamija Suljevic enviou-nos um lookbook da sua colecção Outono-Inverno 2010-2011 e ficamos agradavelmente surpreendidos quando reparamos que se tratava de um trabalho consistente e interessante, já para não falar nas fotografias, que vão tão de encontro à estética que nos agrada.
Lamija é uma sueca, fascinada pela sua infância, que mistura a inocência, romantismo e delicadeza desta idade com silhuetas fortes. O diálogo entre decorações como laços, bordados e entrançados e detalhes avant-garde está no cerne das suas criações, cujo objectivo máximo é primarem pela qualidade de execução, totalmente handmade e personalizada.





FOTOGRAFIA . Emma Jönsson Dysell
STYLING . Tekla Knaust
MODELO . Olivia R
Cool-ização à força
Houve um desfile de Alta Costura para esta Primavera-Verão que gerou especial burburinho. A pergunta (entre opiniões de mais ou menos negativas) ressoou: o que fizeram à casa Valentino? Depois de um dos últimos mestres da Alta Costura se ter reformado, as perspectivas eram bastante positivas: já todos estávamos um pouco aborrecidos com o mesmo tipo de criações que alimentavam a clientela envelhecida e socialite e os mesmos vestidos vermelhos. Colecção após colecção, a surpresa não era muita. Valentino tinha perdido o wow-factor.
Mas parece que o feitiço se virou contra o feiticeiro, e a dupla contratada para continuar em nome de Valentino absorveu bem o ultimato de que a casa precisa de uma reinterpretação mais jovem ou que a sua existência pode ficar comprometida. No fundo, nada disto é novo. Lacroix fechou. É preciso reformular a alta-costura, é preciso atrair novos clientes. Mas a que custo? Tornando-a algo que ela não é? Reinterpretando tendências num espaço que devia ser de criação e experimentação, cedendo mais uma vez a pressões comerciais? Usando Lindsay Lohan’s como “directoras criativas” para nomes como Ungaro? Pois parece que a casa Valentino foi mais uma das vitimizadas. Uma colecção pouco original, inspirações noutros designers (Balmain, Pucci, Balenciaga, Givenchy) e uma primeira fila cheia de adolescentes aristocratas, na esperança dessa conquista do novo público para a Alta Costura. Interessante ou não, sem dúvida muito pouco Valentino.
A questão persiste. Afinal devemo-nos manter colados a um formato desadequado para os novos moldes comerciais ou comprometer a criatividade e arte em nome da continuação de uma Haute Couture que cada vez o é menos? Entretanto, esperamos.




Valentino Haute Couture Primavera-Verão 2010
Para ficar de olho: Sandra Backlund
O trabalho em malhas é difícil e demorado. No entanto, Sandra Backlund, mostra-nos peças esculturais, que iludem o olho e transformam o corpo, ao ponto de não parecerem malhas à primeira vista. Várias publicações de renome na área da moda e artes trouxeram-lhe fama e parecem ter aberto caminho para que continue a sua obra. Nós ficaremos de olho.


















































































































































































































