Shalom
A perfeição é praticamente impossível de atingir. Mesmo assim, a aproximação já pode ser um bom resultado. Shalom Harlow dispensa apresentações. As suas expressões são suaves e não nos distraem dos traços quase perfeitos, cuja poética é apenas acariciada por um trabalho de maquilhagem simples, conciso e natural. O rosto vai assim sendo sucessivamente emoldurado pelo styling, nada excessivo, que transforma este conjunto de simplicidades numa sinergia de resultado esteticamente explosivo. Uma série de fotografias que nos mostram apenas aquilo que deve ser realmente contemplado, sem distracções, onde a arte dos vários elementos sobressaem no fundo mudo. Merece ser visto em grande. Shalom.
Shalom Harlow em “Chrysalide” por Sofia Sanchez & Mauro Mongiello com styling de Samuel François para Numéro #108
imagens: thefashionspot
A New Maria
O catolicismo parece nunca estar fora de moda, ao contrário do que se possa pensar. Designers e publicações ironizam, criticam e enaltecem figuras e símbolos religiosos, quase permanentemente. Esta foi a vez de Danil Golovkin criar uma nova virgem Maria, num editorial que nos pareceu quase demasiado ousado para uma publicação como a Haper’s Bazaar Russia. Não ousado por mexer com religiosidades, mas por fugir um pouco ao que as grandes publicações nos habituaram – a ideia ultrapassa a fotografia de moda. Num segundo olhar para um o editorial de capa fez-se surgir uma Maria com sobreposições de plantas, flores e outros elementos (sim, comprimidos!), criando-se um conjunto de bonitas e etéreas imagens.
Tanya Dziahileva por Danil Golovkin para Harper’s Bazaar Russia Julho 2010
imagens: fashiongonerogue
Os “Total Blacks” de Scognamiglio
Todos os looks de FRANCESCO SCOGNAMIGLIO para o Outono-Inverno 2010-2011
imagens (não editadas): vogue.it
Nice to meet you Mr. Hare
Os nossos tempos trouxeram a doença dos ténis que infelizmente parece não ter cura para breve. O prático invadiu-nos as mentes e, consequentemente, as ruas. No entanto, o habitar do sapato masculino no dia-a-dia não deve ser visto como formalidade ou desactualização. Mr. Hare reitera essa ideia com calçado luxuoso e pleno de modernidade e simplicidade. Linhas e cores que já nos são familiares, no entanto com um twist minimalista, clean e, acima de tudo, sofisticado.
FITZGERALD
MILLER
ORWELL
TRUFFAUT
VICTOR BOA
BARRETTO
imagens de: oki-ni
Omnipresença de Bardot
Claudia Shiffer por Ellen von Unwerth para Vogue Italia Abril 2008
Lara Stone por Paolo Roversi para Self Service Spring 2008




Marloes Horst por Robert Wyatt para The Sunday Times UK Style Magazine Laetitia Casta por Matt Irwin para Vogue Russia August 2010


Natasha Poly por Mario Sorrenti para Vogue Francesa Lara Stone por Willy Vanderperre para Vogue UK Janeiro 2010
imagens: fashiongonerogue
L’illusion Baroque
O Clássico
O clássico funciona como uma linguagem universal na moda, que todos entendemos. A beleza de Christy Turlington é clássica, Meisel, apesar de todas as suas questionáveis, ou não, variações de estilo, como fotógrafo de excelência que é, consegue ser também ele clássico. Vemos Penn, vemos maturidade na mulher, vemos poses e ambientes. Não há sexualização nem subversão, grandes conceitos ou aventuras estéticas. Vemos pureza de outros tempos, mas vemos também como estas representações não são ultrapassáveis ou desactualizáveis. Uma ode à contemporaneidade do clássico. O resto do editorial: aqui.
Christy Turlington por Steven Meisel para Vogue Italia Julho 2010
As formas de Maria
“Form forms forms.
Embedded in the material, the form reveals itself.
To experience the freedom of not giving a name to things.
To see what emerges from one form.
Inciting the flow of continuous creation.
No waste, no loss of energy, alert and alive.”
Citação e peças de MARIA BLAISSE
Style of a lifetime
Os blogs de streetstyle são giros, e as miúdas novas também. Mas às vezes deparamo-nos com um universo de “it” girls e “it” pieces, onde as referências estéticas são muitas vezes vazias. Viver uma vida em torno de objectos, inspirações e cultos, reflecte-se no que somos e no que parecemos. Mais delirantes ou mais conservadores, os looks mostram maturidade, inteligência, cultura e sentido de humor. E todos nós já passamos por uma senhora na rua e apeteceu-nos meter conversa. Porque parece que há tanto para dizer. E, no entanto, é só uma aparência. Superficial?
imagens: advanced style
Splatter Splash!
DRIES VAN NOTEN KRIS VAN ASSCHE
JEAN PAUL GAULTIER EMPORIO ARMANI
PAUL SMITH KENZO
Tudo para a Primavera-Verão 2011
imagens: style.com
Descubra as diferenças: Cor em editoriais
A forma como a cor tem vindo a ser explorada nos editoriais de Outono tem tido algumas convergências interessantes. Misturas improváveis, paredes, sofás e outras estruturas contrastam e fundem-se com o styling pelos mesmos motivos. Um fenómeno a observar.
Freja Beha Erichsen por Josh Olins para Vogue UK Agosto 2010
Magdalena Frackowiak por Chad Pitman para Numéro #114
Jacquelyn Jablonski por Camilla Akrans para Harper’s Bazaar US Junho/Julho 2010
imagens: fashiongonerogue
Couture Feelings
Críticos de moda há muitos, e todos melhores que nós. A alta costura mexe connosco para além da crítica fria e objectiva que se pode fazer com ciência. O objectivo foi sermos sensoriais e emotivos e falar do que nos orgulha, embevece e fascina neste mundo. Só disso surgiram estas considerações.
Tisci elevou-se. E elevou-se em vários termos. O sucesso comercial e crítico crescente do seu trabalho, a cada vez maior credibilização da sua visão enquanto couturier e a impregnação da sua identidade na moda de hoje são indícios disso. Mas a prova, a evidência disso, é a ultima colecção de Haute Couture para a Givenchy. Sim, fala-se em Frida Kahlo, dia dos mortos, catolicismo e outros ritos como inspiração, mas esta colecção é mais do que inspirações e concretizações de ideias. É Haute Couture pela Haute Couture. Pela exclusividade, pela arte, pelo detalhe, pelo estudo, pelo corte, pelo tecido e pela imagem holística das peças. É uma ode ao trabalhar, reflectir, aplicar alma a cada adorno cuja colocação e posicionamento têm horas de dedicação e paixão. Dez looks, dez modelos, uma sala e arte a transbordá-la. Rendas que marcam esqueletos, cascatas de franjas cuja avassaladora perfeição escultórica contrasta com a leveza das penas. Nú, branco e ouro. Os três elementos deste éter.
O trabalho não foi de Galliano, a visão não foi de Christian Dior, nem os méritos foram da nobre arte da Haute Couture. A imaginação, a arte, a proporção, as cores, as formas e as texturas foram todas artes da mãe natureza. Dior só fundou, Galliano só interpretou e a Haute Couture só permitiu. Um autêntico estudo em volta da flor, das suas partes e de um cocktail de processos biológicos que as tornam nas mais refinadas criações de arte. Seguiu-se esse caminho, esqueceu-se o atalho do sobre-dramatismo burguês do new look, dos muito ricos, dos sumptuosos vestidos e dos quadros dos grandes artistas das estações passadas, desceu-se à mais básica ideia da perfeição estética criacional e a flor tornou-se roupa. E ainda bem. E não falamos de florais, de roupas campestres e aplicações de pétalas aqui e ali. Falamos das morfologias, da organicidade, de caules, de anteras, da plasticidade e fluidez das flores, a vibração das cores, as rugas mais agressivas e as suavidades mais delicadas. Obrigado Galliano. Oferecemos-te uma flor.
Chanel é luxo, sofisticação, elegância. Isso já sabemos e não é sequer nesse sentido que procuramos surpresas. Nem Karl. De queixos caídos está a moda cheia. Numa era em que o avant garde e as “Lady Gagas” espalham os tentáculos até à quase deturpação do que a moda deve ou tem que ser, há sempre quem nos relembre da essência de uma boa peça, de execução e tailoring irrepreensíveis e de adornação que não ultrapassa os limites. Toques de realeza, alguma austeridade e rigor, bem longe da leveza jovial da Primavera passada. Tão interessante como deitar um “AH” a olhar para uma roupa é a possibilidade de uma mulher passar despercebida a usar algo em que todo este saber está aplicado. E a cenografia? Um leão gigante no meio do sumptuoso Grand Palais, perfeito, não fosse a distância entre a plateia e as peças, que dá uma visão quase míope da importância do detalhe inerente à Haute Couture.
HAUTE COUTURE OUTONO-INVERNO 2010-2011
imagens: vogue.co.uk
Para ficar de olho: Helena Vieira
Macabra, sexual, sombria e quotidiana, a sua estética entranha-se-nos. Imagens que roçam o doentio e o “agradável”, que nos levam ao obscuro ou a uma claridade apenas aparente. A estranheza de situações, de ambientes e de olhares evocam personagens que deambulam na ambiguidade do real e do consciente. Helena Vieira é uma jovem artista que explora novas formas de arte à medida que se conhece e se define. O TANDANSSE acompanha os trabalhos que vai colocando no Flickr e blog e admira-os cada vez mais, à medida que surgem.
Fotografia HELENA VIEIRA
Todos os trabalhos podem ser visitados no blog e uma das peças na exposição Pistol & Fur New Contemporaries (flyer aqui) até 31 de Julho no Reino Unido.
A ascese do mundano
Os símbolos e iconografias da nossa sociedade sempre foram alvo de reinvenções e reproduções no mundo das artes. Deles surgem criticas, interpretações, mensagens contra o estado de coisas e questionamentos de valores. Estes gritos são importantes. Eles precedem a mudança, lançam a controvérsia, pretendem abanar consciências e dar-nos outros prismas acerca de ideias que estão enraizadas e pré-estabelecidas.
O vestido de casamento e o véu, últimos símbolos da virgindade, da subserviência da mulher perante o homem e deus, embelezam-na, mas, em última instância, empobrecem-na. Retiram-lhe identidade, objectizam-na. A mulher, o casamento e todos os simbolismos a eles associados, reflectem o último requinte da ortodoxia, da permanência de valores desactualizados e do perpetuar de ritos, cuja origem nada tem a ver com a contemporaneidade. Hoje não passam disso, de símbolos, de ritos, desligados da sua génese, que encaramos inebriados pela sua descaracterização. Acho que nada melhor que estas imagens para ilustrar esta reflexão.
Sasha Pivovarova e Natasa Vojnovic por Craig McDean para Vogue Paris Abril 2006
La Femme de Yves
À medida que as campanhas de Inverno começam a invadir a internet, o último passo para a concretização da ideia por detrás da colecção fica dado. Muitos pretos e brancos, nada de muito controverso ou fora do esperado. Angela Lindvall canta (para embalar, supomos) em Prada por Steven Meisel e Testino capta uma Versace melhor do que a que vimos na passerelle. Com já muitas vistas e algumas ainda por ver, resta-nos mostrar aquela onde nos vemos espelhados, onde a mulher que criamos idealmente está. Falo claro de Daria para Yves Saint Laurent por Inez van Lamsweerde & Vinoodh Matadin. Mais do que mostrar roupa e apelar aos novos-riquismos que invadem a moda sob a forma de Balmains e afins, revela-se uma austeridade sensual, simples e clara. Uma mulher segura, cuja roupa prolonga a sua emancipação, que se agrada a si mesma com sobriedades. Às vezes o sexo e a juventude na moda aborrecem. Às vezes as poses e expressões que tanto vemos homogeneízam as revistas e os blogs. Às vezes mulheres como esta emergem.
Daria Werbowy para campanha Yves Saint Laurent Outono-Inverno 2010-2011 por Inez van Lamsweerde & Vinoodh Matadin
imagens: fashionising.com
Paco Rabanne, Designer and Rebel
Paco Rabanne, o espanhol de estatuto icónico e revolucionário, pode agora ser visto em detalhe numa exposição no âmbito do ESTORIL FASHIONART FESTIVAL. Uma retrospectiva que nos permite compreender a arte por detrás de um mestre que, através da arquitectura e holismo dos pequenos elementos, influenciou os seus e os nossos tempos. A variedade e especificidade dos materiais usados são mais que a identidade deste rebelde que também foi beber a Balenciaga, através da sua mãe, costureira deste. O TANDANSSE releva a importância de eventos como este em Portugal, para que se dê à moda a sua real importância, e nunca menos que isso.
EXPOSIÇÃO Museu C.C. Guimarães até 11 de Julho, com entrada gratuita, das 13h00 às 21h00.
fonte e imagens: estoril fashionart festival
The Leather’s touch
LA SOPHISTICATION CLASSIQUE DE GIANFRANCO FERRÈ
L’AUSTÈRITÉ MINIMAL GLAM DE CÉLINE
LE DOUCE BIKER DE VERSUS
LE LADYLIKE DE LOUIS VUITTON
LE BRUN EN BRUNETTE DE LANVIN
LE CROC ÉQUESTRE D’HERMÈS
LE ROMANCE ORGANIQUE D’HAIDER ACKERMANN
LE VAMPIRESQUE RIGOUREUX DE GIVENCHY
LA MATURE INNOCENCE DE CHLOÉ
LE FUTURISTE SYNTHÉTIQUE DE BALENICIAGA
LE GOTH DE ANN DEMEULEMEESTER
LE ROYALE MILITAIRE DE BALMAIN
imagens originais: vogue.co.uk
Ashes to ashes, fragments to clothes
Pedaços partidos, polidos, “cosidos” de porcelana, trabalhados pelas miraculosas mãos de Li Xiaofeng, resultaram numa série de poéticas peças. Fragmentos das mais finas porcelanas tradicionalmente chinesas, culto de séculos, tomaram a forma de roupas, incluindo uma colaboração para a Lacoste, com os símbolos pintados como manda a antiga técnica. Uma entrevista, mais informações e material fotográfico podem ser vistos aqui.
Top Looks (Menswear Fashion Weeks)
O leopardo é opulento e as saias e as rendas são femininas. Errado. Tisci traz para o menswear o já por ele explorado Leopardo Givenchy-ano que todos conhecemos da obra do couturier, de uma forma chic e limpa, não opulenta mas carnal. Este homem veste-o, conjuga-o com calções/saias e não perde masculinidade nem se afirma pela ostentação. A execução é irrepreensível e todas as peças são, apesar de estranhas à primeira vista, automaticamente must have.
Em Saint-Laurent a presença é o intelecto. Figuras desprovidas de sex appeal onde a perfeição e leveza estéticas são o foco principal. Silhuetas cintadas, proporções arquitectónicas, tudo em tons mudos, com alguns apontamentos de padrão e fluidez norte africana. Sempre com simplicidade.
Os minimalismos de Jil Sander encheram-se de brilho num blocking variado de vários tons, sempre límpidos e contrastantes, em todo o tipo de peças que qualquer guarda roupa precisa, bem à Raf.
Yoji Yamamoto preencheu-nos com padrões e layerings que pretendem que o homem contemporâneo não se afunde em casualidade. Remontando à elegância masculina de outrora não deixa de todo a contemporaneidade que esteve em todo o lado, para o próximo Verão.
Raf Simons decidiu olhar para o branco, zippers, alguma cor e muito sportswear. Calças largas e alguns apontamentos de materiais menos comuns completaram uma colecção para um homem jovem e muito seguro dos seus próprios ideais estéticos.
O amarrotado parisiense de Lanvin nunca desilude. Texturas e padrões, layerings e descontrações, num efeito não menos cuidado ou polido. Mas ao Alber já o conhecemos.
A fluidez e as silhuetas tão tipicamente Kris, e tão pouco Slimane para Dior, não surpreenderam mas também não deixaram de transparecer beleza e wearability. Pode ser que Kris acorde, mas entretanto entretemo-nos.
Nunca as assimetrias orgânicas de Ann Demeulemeester foram tão brancas, e nunca o branco foi tão negro. Sem perder a aura que envolve a maioria das suas criações, um experimento em branco resultou na nossa dupla admiração. E isso é bom.












































































































































































