Para ficar de olho: Lamija Suljevic
Um dos principais privilégios de se ser blogger é ser-se ocasionalmente contactado por pessoas criativas, das várias áreas, que querem mostrar o seu trabalho. Lamija Suljevic enviou-nos um lookbook da sua colecção Outono-Inverno 2010-2011 e ficamos agradavelmente surpreendidos quando reparamos que se tratava de um trabalho consistente e interessante, já para não falar nas fotografias, que vão tão de encontro à estética que nos agrada.
Lamija é uma sueca, fascinada pela sua infância, que mistura a inocência, romantismo e delicadeza desta idade com silhuetas fortes. O diálogo entre decorações como laços, bordados e entrançados e detalhes avant-garde está no cerne das suas criações, cujo objectivo máximo é primarem pela qualidade de execução, totalmente handmade e personalizada.





FOTOGRAFIA . Emma Jönsson Dysell
STYLING . Tekla Knaust
MODELO . Olivia R
Body Conscience
Preto e branco, simple posing, o minimalismo do nú. Ainda agora mostradas mas já têm estatuto de icónicas. A perfeição dos corpos e o erotismo são mais que exacerbados ao longo das páginas do número 3 da LOVE.
LARA STONE & DARIA WERBOWY
NATALIA VODIANOVA
KATE MOSS & NAOMI CAMPBELL
NUS POR MERT & MARCUS
Cool-ização à força
Houve um desfile de Alta Costura para esta Primavera-Verão que gerou especial burburinho. A pergunta (entre opiniões de mais ou menos negativas) ressoou: o que fizeram à casa Valentino? Depois de um dos últimos mestres da Alta Costura se ter reformado, as perspectivas eram bastante positivas: já todos estávamos um pouco aborrecidos com o mesmo tipo de criações que alimentavam a clientela envelhecida e socialite e os mesmos vestidos vermelhos. Colecção após colecção, a surpresa não era muita. Valentino tinha perdido o wow-factor.
Mas parece que o feitiço se virou contra o feiticeiro, e a dupla contratada para continuar em nome de Valentino absorveu bem o ultimato de que a casa precisa de uma reinterpretação mais jovem ou que a sua existência pode ficar comprometida. No fundo, nada disto é novo. Lacroix fechou. É preciso reformular a alta-costura, é preciso atrair novos clientes. Mas a que custo? Tornando-a algo que ela não é? Reinterpretando tendências num espaço que devia ser de criação e experimentação, cedendo mais uma vez a pressões comerciais? Usando Lindsay Lohan’s como “directoras criativas” para nomes como Ungaro? Pois parece que a casa Valentino foi mais uma das vitimizadas. Uma colecção pouco original, inspirações noutros designers (Balmain, Pucci, Balenciaga, Givenchy) e uma primeira fila cheia de adolescentes aristocratas, na esperança dessa conquista do novo público para a Alta Costura. Interessante ou não, sem dúvida muito pouco Valentino.
A questão persiste. Afinal devemo-nos manter colados a um formato desadequado para os novos moldes comerciais ou comprometer a criatividade e arte em nome da continuação de uma Haute Couture que cada vez o é menos? Entretanto, esperamos.




Valentino Haute Couture Primavera-Verão 2010
Descubra as diferenças: Madonna para Louis Vuitton

Campanha Louis Vuitton Outono-Inverno 2009-2010
Para ficar de olho: Sandra Backlund
O trabalho em malhas é difícil e demorado. No entanto, Sandra Backlund, mostra-nos peças esculturais, que iludem o olho e transformam o corpo, ao ponto de não parecerem malhas à primeira vista. Várias publicações de renome na área da moda e artes trouxeram-lhe fama e parecem ter aberto caminho para que continue a sua obra. Nós ficaremos de olho.





(A grande edição do) Descubra as diferenças
Viktor&Rolf Primavera-Verão 2006, Valentino Primavera-Verão 2010
Pucci Outono-Inverno 2009-2010, Ungaro Primavera-Verão 2010
Ungaro Primavera-Verão 2007, Pucci Primavera-Verão 2010
Givenchy Primavera-Verão Alta Costura 2009, Preen Primavera-Verão 2009
Lanvin Outono-Inverno 2008-2009, Marchesa Outono-Inverno 2009-2010
Louis Vuitton Outono-Inverno 2009-2010, Donna Karan Pre-Fall 2010
Alexander Mcqueen Primavera-Verão 2009, Christian Siriano Primavera-Verão 2010
L’Officiel de la Couture et de la Mode de Paris
Às vezes há algo que nos dá ainda mais gozo do que ver as últimas novidades da moda – vasculhar nos arquivos de revistas e criadores antigos. Por entre capas e editoriais históricos, tudo se mostra interessante, desde as roupas, claro, passando pelo design gráfico, às modelos, ao tipo de poses e de fotografia. Porque uma dessas nossas incursões se repercutiu numa série de reacções “ah, que lindo!” decidimos partilhar aqui uma espécie de timeline de capas da L’Officiel, que percebemos melhor agora porque era e é das mais importantes revistas de moda francesas.
1925 . 1928
1948 . 1952
1965 . 1974
1976 . 1980
1981 . 1983
1987 . 1991
fonte: The Fashion Spot
Crystal Clear
Irina Shaposnikova, nascida Russa mas formada em Antuérpia, surgiu com a ideia de adaptar os cristais, tendo em atenção a sua forma e formação, a roupas, geométricamente construídas, em estruturas triangulares aplicadas a vestidos, casacos e calças em diversos materiais, mas com conforto e wearability. Fica aqui para ficar de olho.
STYLING Jean Paul Paula e Sonny Groo . HAIR AND MAKE UP Evelien de Potter . MODELO Nai Sam Lau
Wear it like a man
O próximo Inverno parece estar repleto de elementos curiosos, que tornam a moda masculina cada vez mais notória e não menos importante que a feminina. As linhas vão sucessivamente ou arrojando, ou reinventando o clássico, para o homem contemporâneo que segue as tendências ou que aprecia peças cada vez mais únicas.
Podemos começar nos estampados caleidoscópicos que McQueen torna misteriosos e dark, que não desiludirão quando conjugados com outro tipo de peças, para o homem do dia-a-dia. A saia masculina, a ganhar cada vez mais terreno, foi um dos highlights de Givenchy, e pelo que parece, não pretende retirar testosterona a ninguém. Em Dries Van Noten o “homem europeu” mistura riscas que, apesar de conjugadas caóticamente (até nos blazeres e trenches de mangas em padrão diferente), fazem um estranho sentido. Rick Owens, um dos mais influentes entre os novos designers, consegue fazer do seu original o melhor, com o futurismo, arquitectura, goticismo e coesão de sempre. Raf Simons, depois de Jil Sander, trouxe fatos e casacos, mas com o minimalismo e twist que raramente desilude. Não menos palmas merecem as colecções de Yves Saint Laurent (ai os macacões!) e Dior Homme (bem diferente da que nos mostrava Slimane, para desilusão de alguns), com a nova silhueta masculina que se tem vindo a afirmar mais loose e desconstruída, ao mesmo tempo que todo o tailoring inerente à construção do menswear não é perdido. Pena que agora só para a próxima estação.
Alexander McQueen
Givenchy
Dries Van Noten
Yves Saint Laurent
Dior Homme
Rick Owens
Raf Simons
FUR(IA)
Lanvin . Oscar de La Renta


Givenchy . Giambattista Valli


Proenza Schouler . Nina Ricci


Celine . Burberry Prorsum
Triste Prada a nossa
Há várias coisas que nós pensávamos não vir a questionar, no entanto desta vez a pergunta grita nas nossas cabeças: o que se passou com Prada? Para a nossa querida (toda a gente tem direito ao perdão) Miuccia, o próximo Inverno vai ser blasé e beije. apenas com alguma brincadeira nos padrões, sem novidades na silhueta ou no calçado. Apesar da expectativa do desfile emitido em directo no site da marca e das colecções de menswear passadas, sempre no nosso top 10 das mais geniais, desta vez tudo pareceu muito estranho – desde a mensagem de “to be continued…” no ecrã de fundo, a vários modelos femininos que também desfilaram. Talvez o mais interessante tenha sido mesmo o jogo com as proporções das camisolas aparentemente “encolhidas”.
E agora? Espera-se que na Milan Fashion Week também desfilem modelos masculinos e isto tenha sido uma espécie de choque para aguçar as curiosidades para a colecção de Inverno propriamente dita? Ou foi só uma das ironias de Miuccia Prada? Ou será até que somos só nós com expectativas frustradas? Não fazemos ideia. Não percam o próximo episódio.
Gentlemen and Gentlemen, A próxima estação já começou
Gianfranco Ferré: O cabedal e as peles estiveram presentes, mesmo nos looks mais improváveis. A silhueta oscilou entre o fitted, por vezes com cintos a demarcar ainda mais a cintura, outras vezes mais loose, mas nunca descontraída, aliás, toda a colecção transparece uma postura opulenta e chic. O destaque vai mesmo para as peles, colocadas sobre trenches ou por baixo de blazers, sempre a dar ao look um ar muito mais luxuoso e sofisticado. Só para alguns homens.
Jil Sander: Sempre com sobriedade, minimalismo e inovação, as roupas sobressaem pelo detalhe, e há sempre detalhes que estão presentes em quase todas as peças. Parece que esta estação foi a vez da desconstrução dos fechos e botos dos casacos, como que aplicados ou cosidos a dar uma ideia de orgânico-arquitectónico. As cores, como sempre, oscilaram entre o preto, cinzento, nude e branco. E Jil Sander é isso mesmo, muito mais que cor.
Burberry Prorsum: O brit de sempre, desta vez em silhuetas menos marcadas, mais oversized. O pêlo, o cabedal em vários tons e adereços metálico-militares estiveram quase omnipresentes, em conjunto com os habituais elementos do homem Burberry.
Dolce&Gabbana: Raramente falamos de Dolce&Gabbana no TANDANSSE, porque não nos desperta assim tanta atenção, mas esta estação não pudemos escapar aos efeitos hipnóticos do look operário do início do séc. XX, que se fazia aparecer nas botas, boinas, malhas e sobretudo nas calças, que ou muito nos enganamos ou vão fazer as delícias não só de quem as veste. As cores tresandam ao negro fabril, castanhos, cinzas e pretos, e mais uma vez os casacos oversized sobressaem como outerwear de eleição.
Aquela camisa Givenchy
Da combinação de leggings e calções ,das estações anteriores, com prints étnicos, head garbs e aplicações metálicas, fundidas em looks urbano-étnicos, surge esta rockabilly-red tartan-metal studs-palestinian-parisian-chic-collection, pelas mãos de Riccardo Tisci. Nesta camisa, o tal red tartan com os tais metal studs.
A Creature Named Charles
Quando se tem 16 anos, se veste Maison Martin Margiela e Rick Owens, se vai habitualmente aos principais desfiles da Paris Fashion Week, se é o protegido de Diane Pernet e se é alegadamente futuro designer, algo parece bater estranhamente certo. Charles Guislain é das mais intrigantes criaturas a pisar o chão das principais capitais da moda no momento e é impossível não olhar inicialmente com uma certa estranheza, seja pela idade, pela androginia ou pelo sense of style. O que é certo é que estamos curiosos, e notícias não faltarão, nos próximos e nos algo mais distantes tempos.
Fotografias: Jak & Jil
excepto últimas duas: Stockholm Street Style
Para ficar de olho: Minimarket
Do norte da Europa costumam vir bons ventos. É o caso da marca Minimarket, com uma colecção para a próxima Primavera-Verão bem mais consistente e cativante que as suas anteriores. O nome é “Aquarium” e isso sente-se no movimento fluido e ondulante, apesar de minimalista, dos cortes. A paleta vai do pêssego, menta, até ao azul cobalto, e dá aos looks um ar cartoon e submarino. Sem dúvida, para ficar de olho.

























































































































































